Caralho, impossível não se arrepiar
aqui-jaz-meu-coracao:
2013: O ano em que o Brasil cansou de gritar por gols, e decidiu gritar pela história.
Sorry for the inconvenience, we’re changing the country.
“Que país é esse?” Já dizia Renato Russo. “Eu sei como é difícil acreditar. Mas essa porra um dia vai mudar.” Afirmava Chorão. Nunca achei que sentiria orgulho de morar no Brasil e imagino o quanto Renato Russo e Chorão estariam orgulhos se estivessem entre nós ainda pra ver o que o povo brasileiro unido é capaz de fazer.
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Democracia s.f.: Soberania popular. Governo do povo. Influência do povo na governança pública. Regime que se baseia na ideia de liberdade e de soberania popular, no qual não existem desigualdades e/ou privilégios de classes. No dia 25 de Março de 2013 participei do protesto contra o aumento da passagem de ônibus em Porto Alegre, RS. No começo era apenas um bolinho bem organizado de estudantes, logo depois cobrimos uma avenida inteira com nossos corpos ávidos pra combater nossas ideologias. Gritávamos frases. Montávamos cartazes. Expressávamos nossa opinião. “Mãos ao alto esse aumento é um assalto”, “Pra trabalhar. Pra estudar. Mas o aumento eu não vou pagar”, “Puta que pariu é a passagem mais cara do Brasil”, “Oh Motorista! Oh Cobrador! Me diz ai se seu salário aumentou”, “Policia pra ladrão pra estudante não” cantigas essas que ficaram ecoando na minha cabeça quando estava analisando tudo do teto do meu quarto. Houve uma hora em que o grande grupo se repartiu e uma parte saiu caminhando. Havia policiais. Por toda a parte. Encarando-nos com seus olhos ferozes. Eu quase conseguia ler seus pensamentos. Esperando uma mínima brecha para nos atacar. Cuspindo seu bafo de moralismo e sadomasoquismo em nossos rostos confiantes e desafiadores. Uma garota levou um tirou na cabeça. Outros quantos saíram feridos gravemente por não terem feito mais nado do que expressar as palavras angustiantes de suas gargantas. Eu estava de frente para a barreira policial. Encarando seus olhos. Tentando decifrar suas pupilas. Tinha certeza que muitos deles tinham filhos. E que boa parte desses filhos devia estar ali protestando. Como eles podiam ficar ali parados dispostos a qualquer ato enquanto eu e muitos procuravam entender o que estávamos fazendo de errado? Procurando entender o porquê de eles estarem nos cuidando com olhos errados. O que eles acreditavam? Quando atiraram na menina, o que eles sentiram? Qual a sensação de machucar alguém que é seu igual? Eu queria gritar por entre suas bocas. Eu queria tatuar em suas peles nossos cartazes e nossos hinos de democracia. Eu queria usar seus ouvidos como alto-falantes para o mundo todo ouvir: “Continuem. Não sejam apenas os rostos das pessoas que eu vejo na rua, me olhando (nos olhando) como se fossemos desertores da moral ou algo pior. Lutem pelos seus ideais.” Eu queria mostrar ao mundo que nem tudo é em vão e passa apenas na TV ou no radio de qualquer estação. Eu queria mostrar naquela noite como nossos gritos se faziam presentes em uma vontade única.
— Povo que não tem virtude acaba por ser escravo.
Kehl, Luisa. (via
maisvodkapfv)